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NIGHTINGALE E O RENASCIMENTO

Com o nome nursing, Florence Nightingale cria na Inglaterra a  ciência do cuidado, cujo meio realizador é a arte de cuidado e cujo ideal de ciência filosófica se funda na Estética da Renascença Italiana: esta é a minha tese, contrária ao pensamento evolucionista sócio-histórico e supostamente crítico de que A Dama do Cuidado seria a continuadora social do espírito do tempo e apoiadora da política expansionista e imperialista da Inglaterra.

O espírito renascentista e romântico de Florence Nightingale convive com o terreno inóspito do advento do feminismo a partir de 1830 e a constituição da ética feminista, a filosofia ilustricista e a estética da burguesia justificadoras do liberalismo e do neocolonialismo, o capitalismo e o apoio intelectual do marxianismo à sua autocorreção e consolidação.

Decididamente, Florence não era filha do seu tempo, como não o foram historicamente a grandiosa maioria de todas as pessoas que contribuíram para o despertamento da humanidade: à lógica do não cuidado do século XIX contrapõe a lógica do cuidado e, mais, a lógica da estética do cuidado ou, ainda, a lógica da ética estética do cuidado. E o espírito dessa lógica nightingaleana do cuidado, a serviço da transformação estético-socio-sanitária do mundo inglês em reviravolta pelo capitalismo pré-industrial e pelo socialismo utópico, está fundamentalmente na Itália renascentista dos séculos XIV ao XVII e na Ilustração inglesa, francesa e alemã do século XVIII: Florence ergue um mundo de cuidado capaz de promover conforto às vítimas da diplomacia do canhão e, também, construtor do seu ideal estético de ambientes, espaços e contextos ecossanitários para uma qualidade de vida humana saudável.



Escrito por carlosfernandes às 12h05
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FLORENCE NIGHTINGALE

Florence Nightingale (1820-1910) utilizou-se da palavra nursing para a formação e desenvolvimento de saberes e de práticas ecossanitárias capazes de criar e modificar ambientes, contextos e espaços humanos.

Ao criar uma Administração, uma Gerência e uma Gestão Ecossanitária de ambientes, contextos e espaços humanos, a cognominada Dama do Lampião  inaugurou no mundo a Economia, a Engenharia, a Arquitetura e a Geografia do Cuidado –em suma, uma Ciência do Cuidado cujo meio consecutor é a Arte de Cuidado ou arte nursing. Essa Ciência do Cuidado é a ciência da Arte de Cuidado ou ciência do sistema filosófico nursing a qual venho pesquisando desde 2003. Mantendo-me no campo da pesquisa básica, meu objetivo tem sido (re)constituir os fundamentos filosóficos nightingaleanos da Arte, da Ciência e do Ideal de Cuidado. As fontes  inspiradoras do percurso metodológico dessa cartografia do cuidado são: a memória da Ciência do Cuidado de Florence; a ciência do cuidado humano de Jean Watson; o subcampo de pesquisas Etnocuidado de Madeleine Leininger; a ciência humana e humanística Nursologia de Josephine Paterson e Loretta Zderad; a produção científica da Revista Texto e Contexto Enfermagem; a obra de Vera Regina Waldow e seu conceito de Educação de Enfermagem Centrada no Cuidado. Conclusivamente, a defesa da enfermagem como ciência humana, humanística, cuidado e conforto institui o fim da Enfermagem Moderna e promove o advento de uma Nova Enfermagem cujas raízes estão em Florence Nightingale pelo qual se pode constituir a Ciência do Cuidado. (Apresentado no 57o.CEBEN-ANAIS)



Escrito por carlosfernandes às 12h03
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ANTROPOLOGIA DO CUIDADO-1


A idéia de criar a Antropologia do Cuidado partiu dos resultados de minha primeira apresentação acadêmica sobre os povos indígenas no Brasil:[1] o trabalho apresentado era fruto de uma exploração bibliográfica sobre as formas de resistência indígena à escravidão, à divisão territorial do Brasil, à desqualificação e à destruição dos valores étnico-culturais que os distingue.

Sem ser uma estrita re-exposição de datas e fatos pontuais, o trabalho sobre as Resistências Indígenas sugeria um novo tipo de chamamento aos fatos históricos do Brasil pela centralidade das ações indígenas construindo, modificando e reconstruindo o processo histórico nacional e europeu: limitando-me ao século XVI, fiz uma releitura crítica de três momentos.

O primeiro momento histórico, entre 1500 e 1549, falava do encontro dos povos Tupinikim com portugueses à guerra indígena contra a divisão territorial do Brasil pela destruição do projeto português de capitanias hereditárias.

O segundo momento histórico, de 1549 a 1567, revisitava as “Malocas de Culto” ou as Casas Escuras, tidas como forças indígenas de resistência religiosa, até a formação e o desfecho trágico da Confederação dos Tamoio, tida como força indígena de resistência política.

O terceiro momento histórico, de 1567 a 1599, fazia um inventário crítico e uma classificação das Migrações Indígenas, instituídas como forças indígenas de resistência econômico-geográfica, até um novo acordo de paz com o Grande Líder dos povos Potiguar Poti –acordo mais uma vez não cumprido pelos portugueses.



[1] Fernandes, Carlos Roberto; Freitas, Maria Imaculada de. Resistência indígena no processo de transfiguração étnica. Anais do VIII Colóquio Internacional de Sociologia Clínica e Psicossociologia; 2001 Jul 3-6; Belo Horizonte, Brasil. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais; 2001. p.64-65

 



[1] Fernandes, Carlos Roberto; Freitas, Maria Imaculada de. Resistência indígena no processo de transfiguração étnica. Anais do VIII Colóquio Internacional de Sociologia Clínica e Psicossociologia; 2001 Jul 3-6; Belo Horizonte, Brasil. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais; 2001. p.64-65

 



Escrito por carlosfernandes às 11h50
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