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OUTRAS RACIONALIDADES (1)

SEGUINDO A TRADIÇÃO PEDAGOGIA POLÍTICA DE PAULO FREIRE, PRECISAMOS RE-APRENDER A APRENDER POIS QUE OS DEFENSORES DOS TIPOS DE RACIONALIDADE HEGEMONIZADOS NA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL ESQUECERAM-SE DE OUTRAS RACIONALIDADES, NÃO HEGEMONIZADAS MAS NEM POR ISSO NÃO ESTUDÁVEIS. PRECISAMOS RE-APRENDER SOBRE:

A RACIONALIDADE HERMENÊUTICA, SISTEMATIZADA NO HISTORISMO DE WILHELM GUILLERMO DILTHEY COMO A RACIONALIDADE DAS CIÊNCIAS DA VIDA OU DO ESPÍRITO, HOJE DENOMINADAS CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS;

A RACIONALIDADE MUÇULMANA, COMPAGINADA COM INGREDIENTES PERSAS, EGÍPCIOS, BIZANTINOS, IBEROS, HINDUS, SÍRIOS E JUDEUS;

A RACIONALIDADE INDÍGENA, QUE VEM SENDO POR MIM ESTUDADA  E SISTEMATIZADA NA HISTORÍSTICA E NA ANTROPOLOGIA DO CUIDADO - AMBAS SUBCAMPOS DA CIÊNCIA DO CUIDADO.



Escrito por carlosfernandes às 00h05
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HERMENÊUTICA (2)

As interconexões e até redenominações de deuses correspondem aos processos históricos de assimilação ou substituição sociocultural de práticas e saberes aceitos ou rejeitados em momentos históricos específicos de povos e nações.

Por assimilação, o mito de Hermes revive na experiência histórica de sincretismo religioso entre gregos, romanos, egípcios, judeus e cristãos presente no gnosticismo, no neoplatonismo de Plotino, na alquimia para a qual é o mercúrio dos alquimistas, na maçonaria, na umbanda com o mito do orixá Exu, no espiritismo pelas funções e comissões do médium espírita, na teologia católica, em vários aspectos dos atuais movimentos carismáticos de católicos e evangélicos.

Literalmente, pode-se afirmar que Hermes é o deus hermenêutico porque criador e mantenedor de nexos, conexões, interconexões de tudo a tudo: a atualização dessa característica e função hermenêutica está no holismo.

 No sincretismo do deus grego Hermes com o deus latino Mercúrio, a sua grandiosidade simbólica é estudada por Jung e de onde se pode citar:[1]  símbolo do uno na diversidade, do inconsciente coletivo, do Si-Mesmo, de Adão, da água espiritual, da água eterna, da alma do ouro e da prata, da anima mundi, do deus terreno, do fundamento da arte da transformação, da união espírito corpo, de sagitarius, da quaternidade, do leão, da rainha, de hermaphroditus, da Pedra Filosofal, da matéria seminal do masculino e do feminino, da matriz e nutriz de tudo, daquele em que há integração de todos os paradoxos possíveis e imagináveis.


[1] JUNG, Carl Gustav. Mysterium Coniunctionis. Petrópolis: Vozes. 1990.



Escrito por carlosfernandes às 23h54
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HERMENÊUTICA (1)

      A tradição mítica grega vincula Hermenêutica ao deus Hermes, merecedor do cognome O Luminoso porque "vencedor mágico da obscuridade". O caráter mágico da vitória de Hermes sobre a obscuridade apenas pode ser visto no sentido complexo dado por Carl Gustav Jung, o criador da Psicologia Analítica: mágico qualifica toda ação, situação, estado ou condição humana em que entram em jogo forças inconscientes.

A magia de Hermes é atributo de sua condição de saber tudo e, portanto, poder tudo: vence magicamente a obscuridade porque tem pleno saber sobre as forças inconscientes. Esse poder mágico do saber recebeu o nome de capital intelectual e, agora, de gestão do conhecimento.

Hermes, enquanto deus andrógino, é, pois, símbolo da autognose, do autoconhecimento de homens e mulheres; enquanto deus masculino Mercúrio é símbolo da individuação masculina; enquanto deus civilizador é símbolo do desenvolvimento de povos e nações.

O mito de Hermes é rito de iniciação para todas as individuações e está presente no espírito do ocidente: se a filosofia grega funda-se no Lógos; se, para os gregos, Hermes é o único e verdadeiro Lógos; se a história da cultura e da civilização supostamente ocidental nasce da cultura e da civilização grega, então o deus do ocidente é Hermes.

O deus Hermes é três vezes máximo e, por isso, o nome Hermes Trimegisto resultante da interconexão entre o deus grego Hermes,  o deus egípcio Tot (deus da escritura, da palavra, da inteligência, senhor dos magos e criador do mundo através da palavra) e o deus romano e arquétipo do homem Mercúrio.



Escrito por carlosfernandes às 23h51
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HISTORÍSTICA (2)

HISTORÍSTICA[1]

O conceito trajetórias e memórias de corpo foi construído em minha pesquisa concluída em 2003 sobre concepções de corpo na enfermagem e desenvolvida para a obtenção do grau de mestre na Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Um dos desdobramentos da pesquisa e daquele conceito é a perspectiva epistemológica de possibilitar e delimitar estudos históricos sobre a Arte de Cuidado na América Latina em geral e no Brasil em particular. Tais estudos históricos se delinearam nas concepções de corpo identificadas e nomeadas de concepção de corpo no sistema nightingale; concepção de não corpo; concepção de corpo sintoma; concepção de corpo fundamento do cuidado; concepção de corpo fundamento da enfermagem; concepção de corpo da enfermeira como instrumento do trabalho; concepção histórica de corpo; nova concepção de corpo cuidador.

As oito concepções de corpo, identificadas a partir da minha concepção histórica e historista de mundo, foram defendidas como memórias de corpo, formadas nas trajetórias de corpo dos terapeutas do corpo e do cuidado ou enfermeiros e enfermeiras e pelas quais discriminei três sistemas ou conexões de fim distintos: sistema filosófico nursing de Florence Nightingale; sistema pedagógico nightingale;  sistema assistencial enfermagem. Cada um desses sistemas, abrindo-se para diferentes e interconexas dimensões da Arte de Cuidado.

 



[1] Originalmente este resumo está publicado nos Anais do 2o. Colóquio Latinoamericano de História da Enfermagem, realizado na Escola de Enfermagem Ana NerI da Universidade Federal do Rio de Janeiro, de 12 a 15 de setembro de 2005, às páginas 84 a 91, sob o título A FORMAÇÃO DE UM PARADIGMA DE PENSAMENTO HISTÓRICO PARA ESTUDO DA ARTE E CIENCIA DO CUIDADO NA AMÉRICA LATINA

 .



Escrito por carlosfernandes às 23h38
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