Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, CAMARGOS, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Livros, Arte e cultura
MSN - crfernandes2007@hotmail.com



Histórico
 01/02/2007 a 28/02/2007
 01/11/2006 a 30/11/2006
 01/06/2006 a 30/06/2006
 01/05/2006 a 31/05/2006
 01/04/2006 a 30/04/2006


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 RECANTO DAS LETRAS
 ACADEMIA VIRTUAL BRASILEIRA DE LETRAS
 U.B.T =TROVADORES DO BRASIL
 CIÊNCIA DO CUIDADO
 CULTURA MASCULINA
 ETNOHISTÓRIA E ETNOCUIDADO
 HISTÓRIA E CUIDADO


 
cienciadocuidado


CIÊNCIA ESPÍRITA DO CUIDADO

 A COMUNIDADE ENFERMAGEM E ESPIRITISMO, da qual faço parte,  se encontra categorizada em “Religiões e Crenças”, com o sítio de http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=6280638.

Em 06/11/2006, às 12:20, está registrada em nome de Carlos Roberto Fernandes, enfermeiro, mestre em enfermagem e espírita, a seguinte postagem sob o título de “ENFERMAGEM ESPÍRITA”:O campo epistêmico ENFERMAGEM ESPÍRITA no qual reconheço os saberes e as práticas espíritas de enfermagem tanto quanto os saberes e as práticas de enfermagem à luz do Espiritismo precisará identificar-se com a obra de Allan Kardec, sobretudo em seus postulados básicos. Assim como fora do Livro dos Espíritos não existe Filosofia Espírita, conforme o próprio Kardec adverte, a Enfermagem Espírita não poderá utilizar-se do nome "espírita" para o continuísmo dos preceitos e preconceitos profissionais imanentes às profissões de saúde. Aliás, a Enfermagem Espírita terá por objetivo modificar o estado vigente dos conhecimentos e das práticas de saúde, não raro distantes da concepção de que somos todos espíritos eternos em evolução, cabendo-nos a obrigação de nos aperfeiçoar-nos com toda a humanidade a qual pertencemos.

Em 09/11/2006 , às 17:41 e 17:48 e com o título deSUBSÍDIOS À CIÊNCIA ESPÍRITA DO CUIDADO” postei o seguinte tópico com o subtítuloNO CAMPO DA ENFERMAGEM ESPÍRITA”: Tanto pela obra de Allan Kardec quanto pela obra de Chico Xavier sabemos que estamos mergulhados no fluido cósmico universal ou "força nervosa do Todo-Sábio" como peixes no oceano. Utilizamo-nos desse fluido cósmico para as co-criações maiores ou menores,segundo o nosso estágio evolutivo, respondendo sempre por aquele uso do "hausto divino".
Desse "hausto divino" serve-se o Espírito ou princípio inteligente para construção do próprio perispírito (corpo espiritual, corpo da ressurreição) que traduz a condição intelecto-moral daquele Espírito, encarnado ou desencarnado. E essa construção se dá porque o corpo mental do Espírito plasma o seu perispírito com os recursos de que dispõe, segundo aquela condição.
No evento da encarnação é o perispírito, sob direção do Espírito reencarnante, que forma o corpo físico aonde cada célula é o desdobramento daquele corpo espiritual: neste estão os centros vitais ou "fulcros energéticos" responsáveis pela "especialização extrema" de todas as células do corpo físico, segundo as diferenciações e adaptações porque passa o Espírito em sua trajetória de vida encarnada e desencarnada.
Isso significa que toda distonia ou disfunção no corpo físico origina-se no espírito que, pelo seu corpo mental, imprime-expressa no corpo espiritual a sua condição intelecto-moral perante o universo.
Toda abordagem do corpo, saudável ou enfermo,que desconheça ou desconsidere tais realidades será sempre limitada ao campo dos efeitos sem atingir as multicausas: uma injeção sedativa para controlar esse ou aquele distúrbio anestesia ou adormece o corpo físico sem, contudo, alterar os fatores perispirituais que construíram e desencadearam aqueles distúrbios originários no Espírito; é apenas um controle momentâneo perante o qual deverá se proceder ao processo educativo ou reeducativo do Espírito.
Preces, passes ou quaisquer outras intervenções ajudam, mas somente a transformação íntima que envolve a resolução dos débitos morais do Espírito com outros Espíritos e com a vida em geral será efetiva. Em suma, tais débitos são perante o mau uso dos recursos da "força nervosa do Todo Sábio".

        Independente dos conceitos e afirmações doutrinárias do autor, suas postagens propondo o campo da Enfermagem Espírita ou Ciência Espírita do Cuidado remetem ao caráter inédito da proposta no Brasil e no Mundo.

Epistemologicamente faço a identificação do campo epistêmico Ciência Espírita do Cuidado e estou sistematicamente envolvido na minha própria proposta de seu desenvolvimento, considerando desenvolvimento como diferenciação e aperfeiçoamento. O meu primeiro passo sistemático nesse sentido foi a criação da Comunidade Ciência Espírita do Cuidado, realizada em 18 de Fevereiro de 2007, às 11:51, identificada na rede orkut pelo sítio http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=28052660.

Os meus estudos e conhecimentos de Espiritismo, nos últimos trinta anos, tanto quanto minha graduação em Enfermagem completada no ano de 1993 pela hoje Universidade Federal do Triângulo Mineiro e minha titulação de mestre em Enfermagem conquistada em 2003 pela Universidade Federal de Minas Gerais, dão-me uma trajetória experiencial e epistêmica suficientemente sólida para a proposição da Ciência Espírita do Cuidado.

 



Escrito por carlosfernandes às 14h15
[] [envie esta mensagem]



NIGHTINGALE E O RENASCIMENTO

Com o nome nursing, Florence Nightingale cria na Inglaterra a  ciência do cuidado, cujo meio realizador é a arte de cuidado e cujo ideal de ciência filosófica se funda na Estética da Renascença Italiana: esta é a minha tese, contrária ao pensamento evolucionista sócio-histórico e supostamente crítico de que A Dama do Cuidado seria a continuadora social do espírito do tempo e apoiadora da política expansionista e imperialista da Inglaterra.

O espírito renascentista e romântico de Florence Nightingale convive com o terreno inóspito do advento do feminismo a partir de 1830 e a constituição da ética feminista, a filosofia ilustricista e a estética da burguesia justificadoras do liberalismo e do neocolonialismo, o capitalismo e o apoio intelectual do marxianismo à sua autocorreção e consolidação.

Decididamente, Florence não era filha do seu tempo, como não o foram historicamente a grandiosa maioria de todas as pessoas que contribuíram para o despertamento da humanidade: à lógica do não cuidado do século XIX contrapõe a lógica do cuidado e, mais, a lógica da estética do cuidado ou, ainda, a lógica da ética estética do cuidado. E o espírito dessa lógica nightingaleana do cuidado, a serviço da transformação estético-socio-sanitária do mundo inglês em reviravolta pelo capitalismo pré-industrial e pelo socialismo utópico, está fundamentalmente na Itália renascentista dos séculos XIV ao XVII e na Ilustração inglesa, francesa e alemã do século XVIII: Florence ergue um mundo de cuidado capaz de promover conforto às vítimas da diplomacia do canhão e, também, construtor do seu ideal estético de ambientes, espaços e contextos ecossanitários para uma qualidade de vida humana saudável.



Escrito por carlosfernandes às 12h05
[] [envie esta mensagem]



FLORENCE NIGHTINGALE

Florence Nightingale (1820-1910) utilizou-se da palavra nursing para a formação e desenvolvimento de saberes e de práticas ecossanitárias capazes de criar e modificar ambientes, contextos e espaços humanos.

Ao criar uma Administração, uma Gerência e uma Gestão Ecossanitária de ambientes, contextos e espaços humanos, a cognominada Dama do Lampião  inaugurou no mundo a Economia, a Engenharia, a Arquitetura e a Geografia do Cuidado –em suma, uma Ciência do Cuidado cujo meio consecutor é a Arte de Cuidado ou arte nursing. Essa Ciência do Cuidado é a ciência da Arte de Cuidado ou ciência do sistema filosófico nursing a qual venho pesquisando desde 2003. Mantendo-me no campo da pesquisa básica, meu objetivo tem sido (re)constituir os fundamentos filosóficos nightingaleanos da Arte, da Ciência e do Ideal de Cuidado. As fontes  inspiradoras do percurso metodológico dessa cartografia do cuidado são: a memória da Ciência do Cuidado de Florence; a ciência do cuidado humano de Jean Watson; o subcampo de pesquisas Etnocuidado de Madeleine Leininger; a ciência humana e humanística Nursologia de Josephine Paterson e Loretta Zderad; a produção científica da Revista Texto e Contexto Enfermagem; a obra de Vera Regina Waldow e seu conceito de Educação de Enfermagem Centrada no Cuidado. Conclusivamente, a defesa da enfermagem como ciência humana, humanística, cuidado e conforto institui o fim da Enfermagem Moderna e promove o advento de uma Nova Enfermagem cujas raízes estão em Florence Nightingale pelo qual se pode constituir a Ciência do Cuidado. (Apresentado no 57o.CEBEN-ANAIS)



Escrito por carlosfernandes às 12h03
[] [envie esta mensagem]



ANTROPOLOGIA DO CUIDADO-1


A idéia de criar a Antropologia do Cuidado partiu dos resultados de minha primeira apresentação acadêmica sobre os povos indígenas no Brasil:[1] o trabalho apresentado era fruto de uma exploração bibliográfica sobre as formas de resistência indígena à escravidão, à divisão territorial do Brasil, à desqualificação e à destruição dos valores étnico-culturais que os distingue.

Sem ser uma estrita re-exposição de datas e fatos pontuais, o trabalho sobre as Resistências Indígenas sugeria um novo tipo de chamamento aos fatos históricos do Brasil pela centralidade das ações indígenas construindo, modificando e reconstruindo o processo histórico nacional e europeu: limitando-me ao século XVI, fiz uma releitura crítica de três momentos.

O primeiro momento histórico, entre 1500 e 1549, falava do encontro dos povos Tupinikim com portugueses à guerra indígena contra a divisão territorial do Brasil pela destruição do projeto português de capitanias hereditárias.

O segundo momento histórico, de 1549 a 1567, revisitava as “Malocas de Culto” ou as Casas Escuras, tidas como forças indígenas de resistência religiosa, até a formação e o desfecho trágico da Confederação dos Tamoio, tida como força indígena de resistência política.

O terceiro momento histórico, de 1567 a 1599, fazia um inventário crítico e uma classificação das Migrações Indígenas, instituídas como forças indígenas de resistência econômico-geográfica, até um novo acordo de paz com o Grande Líder dos povos Potiguar Poti –acordo mais uma vez não cumprido pelos portugueses.



[1] Fernandes, Carlos Roberto; Freitas, Maria Imaculada de. Resistência indígena no processo de transfiguração étnica. Anais do VIII Colóquio Internacional de Sociologia Clínica e Psicossociologia; 2001 Jul 3-6; Belo Horizonte, Brasil. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais; 2001. p.64-65

 



[1] Fernandes, Carlos Roberto; Freitas, Maria Imaculada de. Resistência indígena no processo de transfiguração étnica. Anais do VIII Colóquio Internacional de Sociologia Clínica e Psicossociologia; 2001 Jul 3-6; Belo Horizonte, Brasil. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais; 2001. p.64-65

 



Escrito por carlosfernandes às 11h50
[] [envie esta mensagem]



CORPOANÁLISE II

Na Ciência do Cuidado Estética, do grego aisthetikós, é a ciência filosófica do ritmo, território do equilíbrio, da permanência e da eternidade (do que perdura e permanece), da harmonia, da serenidade, da ritmicidade, da estrutura, da completude, da totalidade, do caos, do primordial, do fundamental, do básico.

Os territórios da Estética, e portanto territórios da Ciência do Cuidado, são a Ética, a Erótica, a Poética e a Arte.

Ética é o campo do estilo, da unidade, da integridade, da unicidade, do absoluto, da pureza, da verdade, da inteireza; nesse sentido retomo a tradição de ética como estética da existência, fundada pelo terceiro conde de Shaftesbury e muito posteriormente retomada por Michel Foucault.

 Erótica é o campo da sensibilidade (capacidade para criar e [re]conhecer sensações, da sensitividade (capacidade para criar e [re]conhecer sentimentos), da emotividade (capacidade para criar e [re]conhecer emoções, da perceptividade (capacidade para criar e [re]conhecer percepções, da afetividade (capacidade para criar e [re]conhecer afetos, do desejo, da sensualidade.

Poética é o campo da imaginação (função do pensamento ou do poder de representação promotora da capacidade para criar e evocar imagens), da fantasia (função do pensamento não dirigido, não lingüístico, hipológico, cuja substância fantástica das figurações e fantasmas produzidos vem da vivência cotidiana e pública  de povos de épocas ancestrais e antigas), da intuição, da expressividade, da inspiração, do detalhe, do íntimo.

Arte é o campo da criatividade, do gosto, do efeito, da aparência, da metáfora, da superfície, do belo (tipo especial de beleza fundamentado na harmonia, na métrica, na serenidade), do sublime (do entusiasmo, da surpresa, da fascinação, do espanto, do deslumbramento), do extraordinário.

Escrito por carlosfernandes às 11h32
[] [envie esta mensagem]



OUTRAS RACIONALIDADES (1)

SEGUINDO A TRADIÇÃO PEDAGOGIA POLÍTICA DE PAULO FREIRE, PRECISAMOS RE-APRENDER A APRENDER POIS QUE OS DEFENSORES DOS TIPOS DE RACIONALIDADE HEGEMONIZADOS NA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL ESQUECERAM-SE DE OUTRAS RACIONALIDADES, NÃO HEGEMONIZADAS MAS NEM POR ISSO NÃO ESTUDÁVEIS. PRECISAMOS RE-APRENDER SOBRE:

A RACIONALIDADE HERMENÊUTICA, SISTEMATIZADA NO HISTORISMO DE WILHELM GUILLERMO DILTHEY COMO A RACIONALIDADE DAS CIÊNCIAS DA VIDA OU DO ESPÍRITO, HOJE DENOMINADAS CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS;

A RACIONALIDADE MUÇULMANA, COMPAGINADA COM INGREDIENTES PERSAS, EGÍPCIOS, BIZANTINOS, IBEROS, HINDUS, SÍRIOS E JUDEUS;

A RACIONALIDADE INDÍGENA, QUE VEM SENDO POR MIM ESTUDADA  E SISTEMATIZADA NA HISTORÍSTICA E NA ANTROPOLOGIA DO CUIDADO - AMBAS SUBCAMPOS DA CIÊNCIA DO CUIDADO.



Escrito por carlosfernandes às 00h05
[] [envie esta mensagem]



HERMENÊUTICA (2)

As interconexões e até redenominações de deuses correspondem aos processos históricos de assimilação ou substituição sociocultural de práticas e saberes aceitos ou rejeitados em momentos históricos específicos de povos e nações.

Por assimilação, o mito de Hermes revive na experiência histórica de sincretismo religioso entre gregos, romanos, egípcios, judeus e cristãos presente no gnosticismo, no neoplatonismo de Plotino, na alquimia para a qual é o mercúrio dos alquimistas, na maçonaria, na umbanda com o mito do orixá Exu, no espiritismo pelas funções e comissões do médium espírita, na teologia católica, em vários aspectos dos atuais movimentos carismáticos de católicos e evangélicos.

Literalmente, pode-se afirmar que Hermes é o deus hermenêutico porque criador e mantenedor de nexos, conexões, interconexões de tudo a tudo: a atualização dessa característica e função hermenêutica está no holismo.

 No sincretismo do deus grego Hermes com o deus latino Mercúrio, a sua grandiosidade simbólica é estudada por Jung e de onde se pode citar:[1]  símbolo do uno na diversidade, do inconsciente coletivo, do Si-Mesmo, de Adão, da água espiritual, da água eterna, da alma do ouro e da prata, da anima mundi, do deus terreno, do fundamento da arte da transformação, da união espírito corpo, de sagitarius, da quaternidade, do leão, da rainha, de hermaphroditus, da Pedra Filosofal, da matéria seminal do masculino e do feminino, da matriz e nutriz de tudo, daquele em que há integração de todos os paradoxos possíveis e imagináveis.


[1] JUNG, Carl Gustav. Mysterium Coniunctionis. Petrópolis: Vozes. 1990.



Escrito por carlosfernandes às 23h54
[] [envie esta mensagem]



HERMENÊUTICA (1)

      A tradição mítica grega vincula Hermenêutica ao deus Hermes, merecedor do cognome O Luminoso porque "vencedor mágico da obscuridade". O caráter mágico da vitória de Hermes sobre a obscuridade apenas pode ser visto no sentido complexo dado por Carl Gustav Jung, o criador da Psicologia Analítica: mágico qualifica toda ação, situação, estado ou condição humana em que entram em jogo forças inconscientes.

A magia de Hermes é atributo de sua condição de saber tudo e, portanto, poder tudo: vence magicamente a obscuridade porque tem pleno saber sobre as forças inconscientes. Esse poder mágico do saber recebeu o nome de capital intelectual e, agora, de gestão do conhecimento.

Hermes, enquanto deus andrógino, é, pois, símbolo da autognose, do autoconhecimento de homens e mulheres; enquanto deus masculino Mercúrio é símbolo da individuação masculina; enquanto deus civilizador é símbolo do desenvolvimento de povos e nações.

O mito de Hermes é rito de iniciação para todas as individuações e está presente no espírito do ocidente: se a filosofia grega funda-se no Lógos; se, para os gregos, Hermes é o único e verdadeiro Lógos; se a história da cultura e da civilização supostamente ocidental nasce da cultura e da civilização grega, então o deus do ocidente é Hermes.

O deus Hermes é três vezes máximo e, por isso, o nome Hermes Trimegisto resultante da interconexão entre o deus grego Hermes,  o deus egípcio Tot (deus da escritura, da palavra, da inteligência, senhor dos magos e criador do mundo através da palavra) e o deus romano e arquétipo do homem Mercúrio.



Escrito por carlosfernandes às 23h51
[] [envie esta mensagem]



HISTORÍSTICA (2)

HISTORÍSTICA[1]

O conceito trajetórias e memórias de corpo foi construído em minha pesquisa concluída em 2003 sobre concepções de corpo na enfermagem e desenvolvida para a obtenção do grau de mestre na Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais. Um dos desdobramentos da pesquisa e daquele conceito é a perspectiva epistemológica de possibilitar e delimitar estudos históricos sobre a Arte de Cuidado na América Latina em geral e no Brasil em particular. Tais estudos históricos se delinearam nas concepções de corpo identificadas e nomeadas de concepção de corpo no sistema nightingale; concepção de não corpo; concepção de corpo sintoma; concepção de corpo fundamento do cuidado; concepção de corpo fundamento da enfermagem; concepção de corpo da enfermeira como instrumento do trabalho; concepção histórica de corpo; nova concepção de corpo cuidador.

As oito concepções de corpo, identificadas a partir da minha concepção histórica e historista de mundo, foram defendidas como memórias de corpo, formadas nas trajetórias de corpo dos terapeutas do corpo e do cuidado ou enfermeiros e enfermeiras e pelas quais discriminei três sistemas ou conexões de fim distintos: sistema filosófico nursing de Florence Nightingale; sistema pedagógico nightingale;  sistema assistencial enfermagem. Cada um desses sistemas, abrindo-se para diferentes e interconexas dimensões da Arte de Cuidado.

 



[1] Originalmente este resumo está publicado nos Anais do 2o. Colóquio Latinoamericano de História da Enfermagem, realizado na Escola de Enfermagem Ana NerI da Universidade Federal do Rio de Janeiro, de 12 a 15 de setembro de 2005, às páginas 84 a 91, sob o título A FORMAÇÃO DE UM PARADIGMA DE PENSAMENTO HISTÓRICO PARA ESTUDO DA ARTE E CIENCIA DO CUIDADO NA AMÉRICA LATINA

 .



Escrito por carlosfernandes às 23h38
[] [envie esta mensagem]



CORPOANÁLISE (6)

            A busca da construção de uma semiologia própria para a enfermagem leva-me à proposição da subárea Corpoanálise como território investigativo das expressões verbais e não verbais, culturais, textuais,  emitidas pelo corpo ou por segmentos dele, inclusive as emitidas nas experiências e situações de agravos e sofrimentos, carências e fragilidades. E, acrescento: que a Corpoanálise, subárea de um dos campos epistêmicos especiais da Ciência do Cuidado, se estruture ou se referencie metodologicamente  tanto no PE e nos estudos sobre Processo de Cuidado (PD) quanto teoricamente nos sistemas NANDA, NIC e NOC.

A Corpoanálise enfatiza a particular característica da Ciência do Cuidado ser também uma Ciência do Corpo; portanto, é subárea para estudos sobre o corpo de um novo ponto de vista semiótico ou semiológico e semiotécnico da Arte de cuidado e do cuidado de enfermagem. Tais estudos rompem com a semiologia e a semiotécnica adotadas pela Enfermagem Moderna para  a SAE mediante o Processo de Enfermagem (PE) e dialogam tanto com a Ciência Filosófica Hermenêutica ou ciência filosófica universal do Esclarecimento quanto com a particular Hermenêutica Semiótica  de Georg Friedrich Meier (1718-1777).



Escrito por carlosfernandes às 23h43
[] [envie esta mensagem]



CORPOANÁLISE (5)

A incompatibilidade estrutural está no fato de que os três sistemas classificatórios não se estruturam no limite da Enfermagem Hospitalar e nem se referem às motivações básicas de A. Maslow; além disso, o modelo de Vanda Horta fundamenta uma semiologia e semiotécnica estritamente médicas, identificadoras de sinais e sintomas de doenças ou necessidades da pessoa particularmente hospitalizada. Ao contrário, tanto o PE quanto o PCD, fundamentados nas bases teóricas da NANDA, do NIC e do NOC, têm por alvo a pessoa ou a população, sadia ou com agravos, danos e riscos à vida e à qualidade de vida, inclusive e não necessariamente dentro do campo hospitalar. E, ainda: sendo a doença um dos agravos à saúde, os sistemas taxonômicos para o Cuidado de Enfermagem não se estruturam em doenças diagnosticadas por outros profissionais de saúde ou profissionais da doença; ao contrário e repetindo, estruturam-se em reações ou respostas humanas a problemas, situações e condições de vida e de qualidade de vida ou de possíveis agravos, danos e riscos à vida e à qualidade de vida, individuais ou coletivos, identificados durante a composição do HE ou do HCD em quaisquer cenários ou espaços terapêuticos.

        Conseqüentemente, o que é chamado de contradições do trabalho de enfermagem é confusão de bases conceptuais estruturantes daquele trabalho e evidenciada numa semiologia e semiotécnica inapropriadas para a Enfermagem.

Escrito por carlosfernandes às 23h40
[] [envie esta mensagem]



CORPOANÁLISE (4)

A semiologia e a semiotécnica usadas na enfermagem brasileira para detecção de sinais e sintomas de doenças ou desvios de saúde em partes ou órgãos e sistemas do corpo não correspondem aos fundamentos teóricos daqueles sistemas classificatórios.

Se os fundamentos dos sistemas de diagnósticos, de intervenções e de resultados de enfermagem são os alicerces metodológicos do PE, a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) no Brasil  se refere a outra base conceptual e metodológica: trata-se do modelo de Vanda de Aguiar Horta, para a qual Enfermagem é a ciência e arte de assistir o ser humano em suas necessidades humanas básicas afetadas.     

        As definições de Vanda Horta e da ANA são incompatíveis, cada qual caminhando para dois tipos diferentes de Enfermagem – uma Ciência da Assistência, notadamente hospitalar, e uma Ciência do Cuidado: a primeira definição baseia-se em questionáveis e dissensuais necessidades humanas básicas e a segunda em respostas humanas a problemas potenciais ou efetivos de saúde e às condições e situações de vida e de saúde de pessoas e comunidades de pessoas.

A sistemática revisão do conceito de necessidades humanas realizada por Potyara A.P.Pereira e o clássico sistema de classificação das necessidades exclusivamente humanas de Erich Fromm impõem sérias revisões sobre a confusão entre necessidades humanas básicas e preferências, desejos, compulsões, demandas, motivação, expectativas, falta ou privação de algo.

         Tanto a declaração sobre o que é Enfermagem de Vanda Horta quanto o uso da teoria da motivação humana de A. Maslow são incompatíveis com a filosofia da ANA para o Processo de Enfermagem, com os Sistemas NANDA, NIC e NOC e com o Processo de Cuidado.

              



Escrito por carlosfernandes às 23h39
[] [envie esta mensagem]



CORPOANÁLISE(3)

Restritas à especialidade de enfermagem hospitalar e ao conceito de assistência de enfermagem, tanto Vanda Horta quanto Rosalda Paim parecem alheias ao fato de que estudos epistemológicos mais atentos de alguns modelos teóricos de enfermagem, criados por enfermeiras norte-americanas, demonstram um esforço permanente em definir o conceito e a práxis do processo de cuidado, em sua grande maioria independente do processo de enfermagem ou, pelo menos, indicando outros modelos de composição do mesmo, fora do conceito de assistência de enfermagem e dentro do conceito de cuidado de enfermagem.

Uma década após a morte de Vanda de Aguiar Horta, inauguram-se amplas pesquisas de enfermagem sobre cuidado, sobretudo a partir da teorista norte-americana Madeleine Leininger para quem o cuidado é o conceito e a práxis unificadora da enfermagem.

A abordagem do cuidado com Leininger tem dimensão transcultural e se aplica fundamentalmente às coletividades, povos e nações mais que aos indivíduos: vinculada ao pensamento norte-americano de antropologia cultural, essa autora cria a Enfermagem Transcultural e a Etnoenfermagem para estudo dos padrões culturais de cuidado.

Chegamos ao momento instituído de estudos, pesquisas e dissensos sobre a significação de processo de cuidado, assistência, cuidado e processo de enfermagem, mais claramente discutidos por Vera Regina Waldow, desde o início da década de 1990.

A minha preocupação teórico-metodológica com os conceitos de Processo de Enfermagem e Processo de Cuidado (PD) funda-se no fato de que a atenção quase exclusiva à criação e à sistematização dos Diagnósticos de Enfermagem parece obstaculizar a evidência de incongruências conceptuais básicas, evidenciadas nos modelos usados no Brasil para a prática de enfermagem. Tais incongruências somente podem ser detectadas diante da base teórico-metodológica dos sistemas taxonômicos NANDA (de Diagnósticos), NIC (de Intervenções) e NOC (de Resultados), todos eles fundamentados a partir da definição de Enfermagem da Associação Norte-Americana de Enfermeiras (ANA):[1] enfermagem é diagnóstico, intervenção e cuidado das reações ou respostas humanas às condições e situações de vida das pessoas ou das coletividades e aos seus potenciais ou efetivos problemas de saúde.



[1] CARPENITO, Lynda Juall. Manual de diagnósticos de enfermagem. 9a. ed. Porto Alegre: Artmed. 2003



Escrito por carlosfernandes às 23h26
[] [envie esta mensagem]



CORPOANÁLISE (2)

CORPOANÁLISE (2)

O trabalho de sistematização da assistência de enfermagem e a proposição de uma nova teoria de enfermagem, realizados por Horta, teve duas motivações, por ela mesma colocadas: falta de sistematização dos conhecimentos de enfermagem; erro de se estudar a enfermagem em função do saber e da prática médica de cuidado a determinadas doenças.[1]

No estudo do pensamento de Vanda Horta, para o trabalho de enfermagem torna-se clara a especificidade do saber e da prática de enfermagem mediante diagnóstico e assistência às necessidades humanas básicas afetadas de pessoas hospitalizadas; ou seja, a teoria de enfermagem e a metodologia do processo de enfermagem utilizadas por aquela teorista foram concebidos (para) e aplicados na especialidade de enfermagem hospitalar e não para a especialidade de enfermagem de saúde pública. Esta afirmação obviamente contradiz o trabalho coletivo realizado atualmente em Curitiba-Paraná para construção e implementação de uma nomenclatura de diagnósticos e intervenções de enfermagem na rede básica de saúde e que se utiliza do pensamento, da nomenclatura e do processo de enfermagem com Vanda Horta.

Revisando e ampliando o trabalho teórico-metodológico de Vanda Horta, em 1978 é proposta a teoria sistêmica de enfermagem por Rosalda Cruz Nogueira Paim, fundamentalmente diferente da teoria das necessidades humanas básicas (NHB), usada por Horta: para Rosalda Paim é impossível a enfermagem atender às NHB dos indivíduos; mantendo-se restrita à especialidade da enfermagem hospitalar, essa teorista defende que o factível é reconhecer e atender às necessidades gerais, comuns a todas as pessoas hospitalizadas e às necessidades específicas, relacionadas à doença de cada uma delas.

Na proposta de Rosalda Paim, gerais e específicas em conjunto formam o conceito de necessidades globais ou necessidades de assistência de enfermagem.



[1] Horta, Vanda de Aguiar.Contribuição para uma teoria de enfermagem. Rev Bras Enferm, Rio de Jeneiro (RJ) 197o jul/dez; 23(3, 4, 5 e 6):119-125.

 



Escrito por carlosfernandes às 23h25
[] [envie esta mensagem]



CORPOANÁLISE (1)

CORPOANÁLISE 1 (Substratos de minicurso criado e ministrado por Carlos Roberto Fernandes na VIII Semana de Eventos das Faculdades Tecsoma, de 25 a 27/10/2005, sob o título "Semiótica do Cuidado: Nova Semiologia para a Enfermagem)

        No Brasil, o primeiro modelo metodológico de processo de enfermagem (PE) foi proposto e aplicado pela teorista de enfermagem Vanda de Aguiar Horta.

Em 1965, na disciplina de Fundamentos de Enfermagem, Horta introduz um roteiro de observação sistematizada para  pessoas hospitalizadas, por ela denominado histórico de enfermagem;[1] relata ter iniciado a aplicação do Histórico de Enfermagem, elaborado em conjunto com suas alunas, num estudo piloto em 1969 e que em 1971 aplicaram aquele roteiro em mais de 500 pessoas hospitalizadas.[2] Em 1979 é publicado seu livro "Processo de Enfermagem".

Processo de enfermagem (PE) é um método de resoluções de problemas de enfermagem, usado no exercício da consulta de enfermagem e cuja finalidade é a assistência de enfermagem: o PE de Vanda Horta compõe-se de Histórico de Enfermagem, Diagnóstico de Enfermagem, Plano Assistencial, Prescrição de Enfermagem, Evolução de Enfermagem e Prognóstico de Enfermagem.

Vários são os modelos vigentes de PE, com variações de fases e de nomenclatura, embora todas as variações mantenham as cinco etapas tradicionais criadas pelas enfermeiras norte-americanas na primeira metade dos anos da década de 1970: Histórico, Diagnóstico, Planejamento, Implementação e Avaliação de Enfermagem.

Do ponto de vista teórico, Vanda Horta translitera para a enfermagem uma parte da teoria da motivação humana do psicólogo Abraham Maslow (1908-1970) e a terminologia de necessidades psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais do padre João Mohama; para Horta, a finalidade da enfermagem é atender ou assistir o indivíduo em suas supostas necessidades humanas básicas afetadas e promover o autocuidado.    

Autocuidado ou cuidado de si é outra teoria de enfermagem, desenvolvida entre 1971 e 1980 pela enfermeira norte-americana Dorothea Orem.



[1] Horta,  Vanda de Aguiar. A Observação sistematizada como base para o diagnóstico de enfermagem. Rev Bras Enferm, Rio de Jeneiro (RJ) 1971 jul/set;24(5):46-53.

[2] Horta, Vanda de Aguiar. A Metodologia do processo de enfermagem. Rev Bras Enferm, Rio de Jeneiro (RJ) 1971 out/dez;24(6):81-95.



Escrito por carlosfernandes às 23h23
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]